Assalto ao Banco Central

Durante as últimas crises econômicas no mundo, o então Grande Ditador Luis Stalin Molusco da Silva, comemorou com vodka russa e aplausos da grande mídia servil, ao fato de o sistema financeiro brasileiro passar incólume pelas turbulências internacionais. Como se por acaso fosse possível esses agiotas  quebrarem com os juros extorsivos praticados e os subsídios paternalistas de governos cuja sanha tributária sem freios só encontra similar na infinita benevolência com banqueiros gananciosos.

Como diria o poeta, relembrar é viver puto. Então, é bom lembrar que no Regime do déspota anterior, Fernando Holocausto Cardoso, foi criado por meio de Medida Provisória, o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional), salvaguarda hedionda via BNDES a instituições financeiras quebradas por roubalheiras e má administração. Conhecido na época como escândalo da Pasta Rosa, desviou somas astronômicas do erário para as mãos de banqueiros e ladrões ligados à equipe econômica do partido que estava no poder, arcando o trouxa do contribuinte com um prejuízo “Feito Pra Você!”

Tal fato já é de causar calafrios na medula óssea, mas a reciprocidade dos meliantes que se dizem eleitos democraticamente perante o modesto auxílio do capital financeiro vai muito além da singela caridade dos cofres públicos, sendo necessário impor a todo cidadão a manutenção de conta bancária para que as instituições possam lucrar mediante o empréstimo de dinheiro alheio.

Mas as arbitrariedades não terminam, pois em nome da segurança, medidas ditatoriais de rapinagem são implementadas com inabalável conivência legislativa. De constrangedoras portas giratórias, que impedem o acesso do cliente, mas não dos assaltantes, até a limitação de horário para uso e de retirada de valores em caixas eletrônicos – os quais tem como habilidade mágica permitir que o correntista pague para fazer o trabalho do próprio banco e este possa “enxugar” seu quadro de funcionários -, sob o pretexto de evitar sequestros relâmpagos. Quanta bondade, “Nem Parece Banco!”

Não bastasse a generosidade governamental, os tesoureiros do Império também resolveram brincar de Van Gogh com as cédulas de caixas eletrônicos explodidos, devolvendo novamente o ônus de sua obra de arte à sociedade, jogada no papel de receptor. O quadro que se desenha é por demais surreal, afinal quando o cidadão é assaltado, não só pelos bancos, mas também por outros bandidos, deve arcar com o prejuízo. Então, por que cabe à população se responsabilizar pelos custos causados justamente por uma Indústria da Insegurança patrocinada por banqueiros detentores das principais companhias de seguro e pela incompetência de um governo títere dessa voracidade?

É absurdo exigir que a população ande com lupa no bolso para verificar se a porra da nota está pintada, queimada, rabiscada, cagada ou merda semelhante, sob o risco de perdê-la para que os tubarões monetários mantenham intocado o vultoso patrimônio acumulado na fonte da exploração. Se não conseguem controlar a criatura parida do próprio ventre, que façam um seguro ou, Pelos Relógios Derretidos de Dalí, venham pintar como eu pinto. Foda-se!

Resumindo essa Ópera do Malandro, o mais recente gesto de boa vontade da leviandade politiqueira com os pobres bancos foi proibir o uso de celular pelo cidadão nas desamparadas dependências. Tudo visando o bem estar do cliente, para que estes não fiquem vulneráveis à ação dos malandros que transitam livremente nas agências, sujeitando-as a possíveis indenizações. Assim como a patética Lei de Desarmamento, o truque escondido na cartola é retirar da população seus direitos civis ao invés de melhorar a segurança pública. Senhor banqueiro, tenha você também, um Banco Central de Vantagens!

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Falando nisso…

Sobre o autor

Há 38 anos, em um longínquo bairro da capital paulista, um estranho fenômeno ilustrava literalmente a expressão ‘foi um parto’. A pouca intimidade do garoto com os padrões de beleza vigentes não apenas naquela época, mas em toda a história da humanidade, faria com que o pai, um lorde de notória reputação, segurasse o jato rompante que procurava devolver o auspicioso jantar. Entretanto, apesar da indescritível feiúra que acometia a criatura, esta denotava um ar aristocrático e de empáfia jamais visto naquele meio, insurgindo na tradicional família uma dúvida atroz: “Jogamos essa coisa na privada e damos descarga ou vendemos para um circo?” Nem um nem outro. Graças a um inexplicável apego fraternal o menino cresceu, estudou Jornalismo, licenciou-se em História, colecionou gibis e discos de vinil, formou uma banda de rock com fins lucrativos que até hoje não ganhou um único centavo e graças aos deuses não se multiplicou. Cético e cínico por natureza, é conhecido em meio à boêmia como Roger Lopes, mas em face de seu doce otimismo, subscreve com o pseudônimo de Cândido Voltaire.