Brasil – Balanço de 2011

2011 foi um ano interessante. Pode-se dizer que foi o 1º ano de governo de Dilma Rousseff, mas também foi o 9º ano do PT no poder. Prefiro a primeira definição, já que o PT foi meio ofuscado do governo. De qualquer forma, considero que foi um ano relativamente produtivo em termos políticos.

Não estamos mais ricos ou mais pobres. A miséria ainda não foi extinta. Os corruptos não foram presos. Ainda não sabemos quem matou Odete Roitman e o Sarney não morreu… Enfim, em termos práticos, não tivemos muita coisa, mas que “o processo é lento” a gente já sabe. No campo da política em si, das tensões partidárias, dos escândalos públicos e toda patifaria cara-de-pau que estamos acostumados, foi um ano agitado. Dilminha que o diga.

As leis da gravidade foram desafiadas pelos ministros, mas a natureza é imbatível. Em seis meses, sete ministros caíram. Destes, seis por denúncias de corrupção. Primeiro foi Antonio Palocci, o todo-poderoso Ministro de Estado da Casa Civil, que tentou se segurar, mas não conseguiu. Quando se tornou figurinha de permutas no congresso (o código florestal foi postergado e o kit anti-homofobia suspenso graças a negociações para defender sua cabeça), Dilma foi obrigada a demiti-lo. O segundo foi Alfredo Nascimento, Ministro dos Transportes, que acusado de ter participação em superfaturamento de obras públicas, acabou deixando o cargo após a pressão da imprensa. Nelson Jobim foi um fanfarrão. O Ministro da Defesa achou que podia chamar sua colega de governo, Ideli Salvatti, de “fraquinha” e se deu mal. Ou não. Talvez ele já planejasse cair fora e só adiantou as coisas. Nunca saberemos. Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esportes) foram outros três acusados de corrupção que Dilma foi obrigada a dispensar. O último (este ano, é claro) foi Carlos Lupi, Ministro do Trabalho que, após as denúncias, disse que só sairia do ministério à bala. Bem, pena que o tiro não foi na cabeça…

Ainda em 2011 tivemos as discussões sobre as regras da Copa do Mundo que se arrastarão para 2012. Os dois principais pontos são a venda de bebidas alcoólicas nos estádios e a meia-entrada nos estádios para idosos. Questões da Copa do Mundo podem parecer menores, mas tratam de pontos importantes para a soberania nacional. E se a lei é igual para todos, porque a FIFA seria privilegiada?

Sucesso foi a aprovação da Comissão da Verdade e a lei de acesso a informações, que garante a todos os brasileiros o direito de consultar documentos produzidos pela administração pública. O sigilo máximo para documentos oficiais passa a ser de 50 anos. Além da prorrogação do DRU (Desvinculação de Receitas da União), que permite ao governo gastar livremente até 20% dos tributos arrecadados, a base conseguiu aprovar, aos 45 minutos do segundo tempo, o Orçamento de 2012, que corria o risco de ficar para março, atrasando os principais investimentos do governo federal.

Ficou para 2012 três dos assuntos mais comentados do ano: a distribuição dos royalties do petróleo, o código florestal e o julgamento do mensalão. Mensalão esse,diga-se de passagem, que completará sete anos.

Enfim, 2011 passou e 2012 já começa quente. Além das discussões políticas já previstas, teremos os imprevistos que são sempre mais interessantes. Ano de eleições municipais. Ano de julgamentos. Ano de reformas (Hahaha!). Os políticos, querendo ou não, vão ter que agüentar (Putz! Vai ser o último ano que vou poder usar o trema? Que dó!) uma coisa: O Negação Lógica na cola.

Feliz 2012 pra gente! Vamos que vamos!

Falando nisso…

Sobre o autor

Sr. Freud, ou Raphael Calmeto, como preferirem, tem 21 anos, nasceu em São Paulo/SP e nunca acreditou em Papai Noel. Também nunca gostou da Xuxa. Cursou um semestre de Sistemas de Informação, não pelos sistemas, e sim pelas informações. Hoje estuda História, onde finalmente achou semelhantes igualmente malucos. Gosta de ler, ouvir músicas, tocar teclado e bater bapo. Há 5 anos, trocou a televisão pelos podcasts. Tem twitter, facebook, skoob, skype, tumblr, etc… Mas acha que esse negócio de internet inútil…