Westiphalia e o Holandês Voador

O Holandês Voador avança sobre a pequena enmbarcação de anões e fadas da Westiphalia Tupiniquim

Salve Nobres Súditos do Castelo Medieval.

Em andanças pelo povoado me deparo com o semblante abatido da plebe andrajosa, deveras angustiada com o avassalador ataque do indizível Holandês Voador à nossa pequena embarcação de contos de fadas, quando esta singrava os mares onde até então acreditava ser imbatível. Enorme é a tristeza que abate o populacho, calando os milhares de galvãobuênicos que aqui surgiram desde que os civilizados colonizadores estupraram as selvagens desnudas neste belo habitat natural.

Carregando consigo o maior objeto de orgulho patriótico do estimado Império Autocrático da Westiphalia Tupiniquim, com o intuito de trazer-nos a decantada hexágona coroa, quis os desígnios da poseidônica divindade Fifa, que os restos de nossa outrora ufanista nau capitânia aportasse em frangalhos, humilhada pela destruição  imposta por uma esquadra fantasma laranja, a qual ironizamos com tambores, pagode e fanfarronices, minutos antes de confrontá-la, pensando tratar-se de reles lenda supersticiosa.

Descrevem os sobreviventes que nosso bravo Capitão Anão e seus marujos de neve, vaidosos como minha doce Cunegunda, imploraram clemência feito menininhas apavoradas, sendo atirados de um lado a outro pelo turbulento carrossel mecânico. No entanto, tudo está bem mesmo quando tudo está mal e agora podemos concentrar forças na coroação da próxima romênica realeza e de seus príncipes maquiáveis, pois é tempo de trocar as bandeirinhas verde-amarelas e vuvuzelas africanas por broches, adesivos, calendários e santinhos com a magnânima fuça dos ilustres cobiçosos ao trono.

Substituamos então a luta pela taça do mundo pela batalha em prol do cetro imperial antes que os anestesiados bufões acordem de seu encantamento futebolístico, afinal a festa não pode  acabar neste que é o melhor dos mundos possíveis. Duzentos milhões em ação, pra frente Westiphalia do meu coração!

Falando nisso…

Sobre o autor

Há 38 anos, em um longínquo bairro da capital paulista, um estranho fenômeno ilustrava literalmente a expressão ‘foi um parto’. A pouca intimidade do garoto com os padrões de beleza vigentes não apenas naquela época, mas em toda a história da humanidade, faria com que o pai, um lorde de notória reputação, segurasse o jato rompante que procurava devolver o auspicioso jantar. Entretanto, apesar da indescritível feiúra que acometia a criatura, esta denotava um ar aristocrático e de empáfia jamais visto naquele meio, insurgindo na tradicional família uma dúvida atroz: “Jogamos essa coisa na privada e damos descarga ou vendemos para um circo?” Nem um nem outro. Graças a um inexplicável apego fraternal o menino cresceu, estudou Jornalismo, licenciou-se em História, colecionou gibis e discos de vinil, formou uma banda de rock com fins lucrativos que até hoje não ganhou um único centavo e graças aos deuses não se multiplicou. Cético e cínico por natureza, é conhecido em meio à boêmia como Roger Lopes, mas em face de seu doce otimismo, subscreve com o pseudônimo de Cândido Voltaire.