Legislando em causa própria

A venda antecipada de ingressos para o “Is The End of The Word Festival”, maior evento midiático desde o “Genesis Pallooza”, tem gerado desde o século passado uma corrida desenfreada entre os diversos grupos protagonistas de arte messiânica alarmista em busca de um lugar sob as luzes armagedônicas da ribalta. Enquanto organizações malthusianas de todas as facções se acotovelam entre fundamentalistas e visionários charlatões, a Indústria Ditatorial do Verde há tempos desponta conduzindo teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos.

Nada mais outsider e descolado no mundo contemporâneo do que bradar nos megafones a salvação planetária com seus grudentos clichês “Pequenas Ações Geram Grandes Resultados Style”. Meus bagos ecológicos que geram. Essa ladainha, por mais consciente que possa parecer, interessa apenas aos grandes grupos predatórios, aos Estados despóticos e às abomináveis Organizações Não-Governamentais subsidiadas pelo governo (um dia entenderei esse paradoxo). O restante dos ruminantes apenas segue a cantilena aonde a vaca vai, o boi vai atrás.

Podem gritar, podem gemer, podem espernear os adeptos da demagógica “verdade inconveniente”, mas é claro e cristalino como as águas do Niágara, que o discurso do ativismo verde nada mais é do que show business reacionário. Princípio básico da economia liberal clássica, “Lei da Demanda e da Procura” ou quanto maior a oferta, menor o preço. Quanto mais escasso o produto, maior a procura e consequentemente preços (e lucros) na estratosfera. Sem livre concorrência, pois “Mão Invisível” aqui só se for na bunda da dona Flora e da senhorita Fauna.

Caso não tenha ficado devidamente óbvio, esclareço: recursos naturais são atualmente produtos de consumo mais caros que qualquer outro, inclusive tecnológicos. Quando idiotas desinformados ou simplesmente manipuladores de opinião  bradam com suas trombetas apocalípticas ao fim iminente das dádivas naturais, os cifrões das bolsas de investimentos triplicam na proporção do preço dos vegetais, dos minerais, dos animais, da energia elétrica, dos combustíveis, da água, do oxigênio, do gás-carbônico e até da fotossíntese. E quem paga essa conta é você, ativistinha da tirania esmeralda.

“Sustentabilidade”, eufemismo magnificamente disseminado pelos Goebbels da moderna propaganda ideológica ambiental. Não é difícil perceber como os os maiores conglomerados em todos os segmentos, seja no dia mais claro ou na noite mais densa, tornaram-se Lanternas Verdes preocupados com a Terra. Bancos, petroquímicas, laboratórios farmacêuticos, montadoras de automóveis, hipermercados, fabricantes de salsicha, consultoras Jequiti, cervejarias, petshops, empresas de pasta de dente, concessionárias de telefonia e até partidos políticos adotaram sofisticados ecoslogans bacanudos. “Use seu Green Ecological Blaster Card Plus e durma com a consciência ecossocial trânquila!”. “Compre um Ecomóvel 4×4 Diesel e deixe-o na garagem fazendo sua parte!”. “Celulares Biodegradáveis, tecnologia a favor do planeta”. “Carne é morte, o peido bovino destrói a camada de ozônio. Coma salsichas de capim e tenha um intestino sustentável!”. “Elemental, meu caro Al Gore!”. Impossível esmiuçar num único artigo todo o fascismo contido na retórica ambiental.

Retórica, pra quem não sabe, é uma técnica filha da puta, muito utilizada por mulheres e chantagistinhas mirins, introduzida na época das odisséias homéricas por Sócrates (o filósofo grego, não o jogador de futebol) em seus ensinamentos e consiste em, corrijam-me se eu estiver errado, questionar reiteradamente o adversário, emputecendo-o ao ponto de perder as estribeiras, confundir-se e cair em contradição mediante tantos “porquês” disso e daquilo”. Não por acaso, essa mania besta fez com que obrigassem o tiozinho a beber um balde de cicuta e fosse torrar o saco de seus ancestrais no Olimpo.

Dessa forma, a extremada e vazia ameaça ecoaporrinhadora, segue a lógica cabalística demográfica proposta por Thomas Robert Malthus, no final do século XVIII, cujos preceitos vaticinavam que se a população mantivesse crescimento em proporção geométrica (2-4-8-16-32) enquanto a produção de alimentos permanecesse em ritmo aritmético (1-2-3-4-5), antes do século XX não haveria comida suficiente e o planeta se transformaria em uma sociedade Texas Unplugged Chainsaw Massacre com Leatherfaces por todos os lados.

O cenário na versão ecológica é mais ou menos a mesmo, porém sem árvores, ar respirável, água potável, baleias, golfinhos, pandas, onças-pintadas, o mico-leão-dourado e a ararinha-azul. Como já se sabe o pensador não contou com as descobertas científicas no campo da agricultura e da indústria alimentícia, dos avanços tecnológicos, das guerras, genocídios e extermínios sistemáticos de parte da população por regimes fascínoras.

É reconhecido na história que nenhuma ditadura se completa sem a criação de um inimigo à altura. Nenhuma manipulação das massas é possível se não houver em quem jogar a culpa pelas agruras sociais. O totalitarismo, seja por meio do elixir da bordoada bem dada, seja por meio do prazer conquistado com doces e guloseimas. Seja pela retórica revolucionária de esquerda ou pelo discurso reacionário de direita, apresenta em suas mais variadas formas um único objetivo, o controle sistemático e a manipulação do rebanho.

É admirável a eficácia com que os benevolentes heróis da República de Mary Jane’s Home suscitam malvados vilões e criaturas horripilantes para justificar medidas vampirescas de sangria tributária em nome do bem-estar social, colocando no centro do bosque encantado dessa fábula, a donzela em apuros da vez, Lady Sustentabilidade. Bravos cavaleiros de reluzentes armaduras sociais, imponentes estandartes partidários e espadas legislativas afiadas elevam-se em seus radiantes corcéis relinchantes para liquidar o mais maléfico dos servos de Satanás, o horrendo megaloconsumidor inimigo das causas verdes.

O cacarejo dos papagaios de pirata ambiental, de que o capim em breve não dará para todos, encontra eco nos preocupados representantes deste país tropical abençoado pela corrupção e hipócrita por natureza, mas que beleza. E em fevereiro tem carnaval e afrodescendentes chamadas Tereza para cidadãos de nacionalidade britânica assistir.

Amiguinhos Wiccas comedores de alface, comove feito novela mexicana o empenho do dedicado Estado de Direito Totalitário Brasileño para elaborar legislações de indiscutível relevância ao futuro de seus servis eleitores, cônscios da importância de preservar o planeta para as próximas gerações, afinal este é o país da solidariedade, não é mesmo, ô da poltrona?

É de transbordar o Rio Amazonas as lágrimas de crocodilo emprestadas por essa corja de cínicos sacripantas e mesmo o saco do cidadão não sendo de plástico, já deveria estar irremediavelmente cheio de tantas baboseiras demagógicas instituídas neste feudo federativo.

É um exercício de imaginação supremo, admitir que alguém que não possua interesses escusos ou de marketing pessoal, seja suficientemente ingênuo para acreditar que exista tanto em relação à draconiana “Inspeção Veicular Obrigatória”, quanto à ignóbil “Lei das Sacolinhas Plásticas”, qualquer objetivo filantrópico maior do que simplesmente arrecadar da onerada sociedade mais um obolozinho em impostos e de quebra diminuir um pouquinho os custos dos amigões financiadores de suas ricas campanhas eleitoreiras, entre eles empresas terceirizadas de origem duvidoda, grandes montadoras e conhecidas redes de hipermercados.

O argumento de fiscalizar veículos automotivos visando melhoria das condições do ar e de proibir o fornecimento de sacos plásticos a fim de minimizar o problema da decomposição de tais resíduos não passa evidentemente de meia verdade, ou no caso, mentira inteira para justificar a sanha tributária do governo.

E mais deprimente que a retórica perdulária, são os aplausos idiotizados de programa de auditório proveniente da turminha verde, que não enxerga um abismo à frente do nariz, sequer dando-se conta de quão títeres conseguem ser ao defender suas bandeirinhas autoritárias em defesa de um saudável mundo melhor. Viver no meio da selva, locomovendo-se de cipó, tomando banho frio e sem fast food, ninguém quer, não é mesmo?

É plausível que o apelo do heroísmo protecionista do ecossistema seja uma causa das mais nobres. Entretanto, são justamente os paladinos quixotescos quem inadvertidamente sempre fornece aos tiranos longe da extinção e déspotas da pior espécie, os meios para perpetuarem o absolutismo compulsório sobre a nação. Intromissões desprovidas de fundamento técnico em obras de interesse público, gerando superfaturamentos além do tradicional orçamento superfaturado e tributações demagógicas disfarçadas de inspeções preocupadas com a qualidade do ar e do solo são apenas a pontinha visível do iceberg derretido pelo aquecimento global dos quentíssimos discursos vegetativos.

http://pessimismoemgotas.wordpress.com

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